Mobilidade Urbana está em 1º lugar entre as preocupações dos moradores do Urbanova

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Foto: Fabiano Barros

Somente na semana de 2 a 8 de dezembro foram registrados 6 acidentes de trânsito no Urbanova, sendo 5 na Av. Lineu de Moura e 1 na Av. Shishima Hifumi. 6 novos empreendimentos acabam de ser lançados no bairro e condições do asfalto deixam a desejar.

Fizemos um levantamento de nossas reportagens e pesquisas realizadas durante o mês de 2019 e a Mobilidade ficou em 1º lugar entre os assuntos que mais preocupam os moradores do bairro.

A sequência de acidentes de trânsito registrada no mês de dezembro repercutiu muito nas redes sociais da Revista Urbanova, com centenas de comentários. A maior parte atribuindo a responsabilidade dos acidentes à Prefeitura. Falou-se em instalação de mais radares, implantação de lombadas e redução do limite de velocidade. Vale ressaltar que a Av. Lineu de Moura conta com 2 radares fixos com câmeras.

Outros internautas apontam os motoristas como únicos responsáveis por tantos acidentes. Excesso de velocidade, falta de atenção, uso do celular ao volante e dirigir embriagado foram algumas das situações apontadas.

Alguns moradores comentaram, ainda, sobre o desnivelamento e a falta de manutenção da Av. Shishima Hifumi, principal avenida do bairro. Sobre esse problema, a Secretaria de Mobilidade Urbana informou que a via está na programação de recapeamento da prefeitura, no entanto, ainda sem previsão de execução. Já a infraestrutura cicloviária da Avenida Shishima Hifumi faz parte da rede aprovada pelo Plano de Mobilidade e o Plano Diretor, com importantes conexões cicloviárias no bairro do Urbanova. No momento, estão sendo realizados os estudos para a viabilidade do projeto. Ressaltaram, ainda, que a Av. Possidônio José de Freitas conta com ciclorrota sinalizada em toda a sua extensão.

Os acidentes também levantaram a discussão sobre o acesso único ao bairro. Sempre que acontece um acidente ou obra, o congestionamento que se forma atrapalha a rotina dos motoristas e oferece riscos em casos de emergências.

Mobilidade-urbanovaA população estimada do Urbanova é de 15 mil habitantes e há um grande fluxo de pessoas que trabalham ou circulam pelo bairro em função dos hospitais, escolas, clubes, comércios e universidade. Em meio a grandes obras viárias em São José para a fluidez de veículos na cidade, o Urbanova permanece distante de uma solução para a mobilidade.

Hoje o bairro é formado por 40 loteamentos fechados e prédios, 6 novos empreendimentos residenciais aprovados e mais de 200 comércios.

No mês de junho, o Prefeito Felício Ramuth esteve em uma reunião aberta no Urbanova. Em evidência estiveram perguntas sobre o novo acesso, transporte público e perturbação de sossego. A necessidade de uma alternativa de acesso foi apontada por diversos participantes, porém o prefeito admitiu que não há prazo para execução apesar do projeto estar em estudo. O secretário de Mobilidade Urbana, Paulo Guimarães explicou que os estudos se referem a via Noroeste, que ligaria a futura continuação da via norte pelo banhado, seguindo paralelo à Avenida Anchieta, passando pelo entorno do Esplanada do Sol. Está prevista a construção de uma nova travessia sobre o Rio Paraíba, chegando ao condomínio Alphaville, no Urbanova. O custo estimado para essa obra é de 40 milhões. Atualmente existem mais de 20 milhões depositados pelos empreendimentos do Urbanova desde 2009 como contrapartida, que podem ser utilizados somente para essa finalidade.

Esses novos empreendimentos devem levar de 4 a 5 anos para serem ocupados, essa estimativa é baseada nos outros loteamentos semelhantes que acompanhamos. O que temos hoje é o plano viário de acesso. Só estamos tratando o prazo para execução das obras”, informou o Secretário de Mobilidade Urbana, Paulo Guimarães.

Mobilidade-urbanovaSegundo a Secretaria de Mobilidade Urbana, o Decreto 14845/11 que regulamentou o processo de análise de PGT (Pólo Gerador de Tráfego) estabelece regras e parâmetros para análise, aprovação e licenciamento destes projetos. De acordo com o porte do projeto e a atividade a ser desenvolvida, são analisados pela Prefeitura os impactos nas vias públicas e definida a contrapartida ou ação mitigadora a ser adotada, como por exemplo melhorias viárias na área de influência direta ou indireta do empreendimento.

As vias estruturais previstas na legislação contemplam larguras adequadas a instalação de passeios públicos, ciclovias e pistas que contribuirão para melhor mobilidade de pedestres e dos diversos modais de transporte.

Além disso, informou que no Urbanova a atual Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LC 623/19), mantêm o zoneamento residencial (ZR), voltado para o uso residencial unifamiliar horizontal, para os loteamentos existentes, admitindo o comércio e serviço de apoio somente nas avenidas. E define para as áreas de expansão da Urbanova, que os novos loteamentos deverão prever maior diversidade de usos, de forma a propiciar uma nova centralidade, para melhor atender a população residente com comércios e serviços, contribuindo assim para um menor deslocamento da população para outras regiões da cidade.

Ressaltaram também que a estrutura viária, instituída pelo Plano de Mobilidade e pelo Plano Diretor, define nas áreas de expansão da região da Urbanova uma série de vias estruturais obrigatórias aos novos loteamentos; bem como prevê novo acesso ao bairro.

Sandra Costa, doutora em engenharia de transportes pela Poli-USP, pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Univap, e moradora do Urbanova, comenta que o bairro “foi pensado (e não planejado) para ser uma nova cidade. Apenas não pensaram que como um novo bairro, iria crescer. Isso associado ao modelo de mobilidade da sociedade brasileira, em geral, que privilegia o transporte individual, em dúvida, criamos um enorme problema ao poder público. A solução não é trivial, pois exige muitos investimentos, considerando que quase 100% dos domicílios desse bairro possuem um carro e mais do que 50% possuem mais de um”.

Ela acrescenta ainda, as possíveis alternativas de acesso ao Urbanova, como a construção de uma via que ligasse à via Norte, duplicação da Lineu de Moura incluindo a construção de uma outra ponte sobre o Rio Paraíba, uma saída passando pela antiga estrada dos areeiros que ligaria à Dutra (unindo as Prefeituras de São José e Jacareí) e por último, prolongar a Linha Verde até o Urbanova, privilegiando o transporte coletivo sustentável, aproveitando o investimento pela Prefeitura Municipal que está realizando a Linha em outras regiões da cidade.

Entretanto, todas as possíveis alternativas mostram também, os desafios, como desapropriações de terras e o custo dos investimentos para as obras.

“As soluções não são simples e qualquer uma exigiria uma
compreensão por parte da população e sacrifícios do poder público e dos
moradores. Sabemos que o Poder Público precisa administrar São José, que é
uma grande cidade e tentar amenizar vários problemas. E também precisa de
recursos para atender a todos os setores. Mas acredito também que a
população do bairro precisa conversar mais com o poder público, para, juntos, encontrarem um caminho”.

 

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